Certamente esse é um assunto difícil de tratar e deve ser abordado com humildade e cautela.
Às vezes olhamos para alguns “heróis bíblicos” que marcaram a história e pensamos: nunca seremos como eles. Podemos nos questionar algo como:
“O que há de errado comigo?”
“Se eu sou um cristão, por que luto contra a ansiedade?”
“Por que eu não sou como um desses grandes heróis?”
Mas esses “heróis da fé” nem sempre foram fortes. Não, a Bíblia diz que “da fraqueza [eles] tiraram força” (Hebreus 11.34).
Dentre os grandes nomes, podemos citar alguns que enfrentaram dificuldades emocionais, sintomas de ansiedade/depressão, medo ou inseguranca em sua trajetória: Moisés (Números 11.14); Jeremias (Lamentações 3); Elias (1 Reis 19.1-18); Jó (por exemplo, Jó 6.2-3), e muitos dos salmistas (Sl 42.11; 77; 88).
Sendo assim, precisamos entender que passar por medo, dificuldades emocionais ou por um desses transtornos/doenças mentais, nem sempre é resultado de algum pecado oculto, podemos atestar isso nos exemplos citados acima. A mente humana é bem complexa, as causas de doenças mentais são vastas (não apenas emocionais), por isso, não devemos ser imediatistas em nossas conclusões.
Lembrando:
Estamos em um processo de santificação (uma corrida, como diria Paulo) até o dia de Cristo, e certamente as dificuldades virão – doenças físicas e mentais estão inclusas aqui.
Nós, cristãos, sabemos que a Bíblia tem resposta para todas as áreas da vida. Por isso, precisamos aprender a lidar com Deus e sua Palavra em nosso sofrimento e frustração, pois Ele é o nosso Auxílio, a nossa Torre Forte, Refúgio e Fortaleza!
“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” Salmos 42:11
Apesar de Deus ser nosso Refúgio e Fortaleza, não rejeitamos a psicologia e seus benefícios, pois Ele mesmo pode usá-la para nos socorrer. Pense comigo: assim como Deus usa profissionais para auxiliar em nossa saúde física, por que não o faria quando se trata da saúde mental?
Vale ressaltar que não são apenas as emoções que estão em jogo quando falamos de saúde mental, mas as cognições, as ações e o comportamento também. Aprendemos no post anterior que somos um corpo inteiro, portanto, não rejeitamos uma “parte” em detrimento de outra, somos um todo!
Para concluir, em seu livro Reconstruindo o Coração, Jason M. Garwood afima cuidadosamente: “estou convencido de que certo nível de depressão ou ansiedade é normal para cristãos.”
Portanto, não estamos isentos de dificuldades emocionais, doenças ou transtornos mentais simplesmente pelo fato de sermos cristãos, mas
“precisamos do pensamento correto e parte do pensamento correto é combater em favor do pensamento bíblico no processo. Isso pode ser incrivelmente desafiador, sobretudo para casos graves de depressão.”
– Jason M. Garwood
Não se cale, não deixe de conversar sobre suas emoções e pensamentos, por mais que seja difícil de se abrir (eu sei, não é fácil), procure alguém de confiança, alguém que possa lhe ajudar! Cristãos, além de suas dificuldades emocionais, também estão sujeitos a doenças/transtornos mentais e precisamos cuidar de quem está perto e passa por isso. Cuide em oração, diálogo e com ajuda profissional quando for o caso!
“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” – Filipenses 4:6-7

Gláucia Alencar mora em Floriano – PI, e congrega na PIB – Barão de Grajaú. Faz parte da equipe de escritoras do Agraciar e é uma serva atuante na sua comunidade local.

