GRAÇA COMUM E DOENÇAS MENTAIS

GRAÇA COMUM E DOENÇAS MENTAIS

Partindo do pressuposto que o sofrimento é inerente ao ser humano e que em algum momento da vida podemos sentir angústia, tristeza ou ansiedade, há casos considerados clínicos e casos não clínicos.

Mas o que poderia ser considerado um caso “não clínico”?

Bom, cada caso é um caso, mas podemos imaginar uma ansiedade que não é patológica, podendo ela ser comum em alguma fase da vida e que, necessariamente, não seja considerada um transtorno mental.

O fato é, precisamos reconhecer que as pessoas tem diferentes problemas emocionais/mentais e nem todo mundo (ou nem todo caso) vai melhorar com uma simples frase de motivação, oração ou leitura da Palavra. Destaco, isso não diminui a suficiência da Palavra de Deus!

A Bíblia, de fato, não é insuficiente, não no que ela se propõe a fazer. A Palavra é, em excelência e suficiência, eficaz em mostrar ao pecador a sua condição de pecado e apontar a solução, que é o Evangelho, a essa condição. Além disso, ela também aponta para a antropologia, como e do que somos feitos, o que engloba as nossas emoções.

Para casos a nível clínico, é necessária uma intervenção que garanta melhorias na vida de quem sofre com os transtornos. A princípio, esse deve ser o nosso pensamento, pois, por mais que o Senhor não tenha nos prometido alegria plena e ausência de sofrimentos, isso não quer dizer que devemos deixar de viver em paz e com qualidade de vida durante nossa peregrinação.

Contudo, percebemos a dificuldade da Igreja em abrir portas para meios que podem contribuir na melhora de uma doença mental.

Com essa postura, negamos a Graça comum do Senhor presente na ciência para o benefício da humanidade.

Abraham Kuyper diz que

“muitos cristãos se sentem ameaçados pela ciência, creem que não é digna de confiança e que afronta a fé”.

Então, como proceder?

Vamos falar sobre o conceito de Graça comum. Para Kuyper,

“é a restrição exercida por Deus sobre os efeitos totais do pecado após a Queda; a preservação e a manutenção da ordem criada; e a distribuição dos talentos aos seres humanos”.

Ou seja, após a Queda, o pecado afetou até mesmo o que viesse a surgir da mente humana. Mas o Senhor, em sua graça, alcança e redime essa situação, de maneira que é possível que coisas boas surjam das mãos humanas tanto dentro como fora do relacionamento pactual com Deus.

E isso inclui a ciência desenvolvida pela reflexão humana.

Pessoas cristãs e não cristãs, continuamente, contribuem para o desenvolvimento da sociedade como um todo. Por isso, contanto que isso não vá contra os pilares principais da nossa fé, podemos crer que o Senhor permite nosso interesse em outros meios que nos ajudem a progredir nessa vida, inclusive a psicologia e a psiquiatria para casos de transtornos e doenças mentais.

Precisamos evitar os extremos de que tudo é patológico, mas não podemos rejeitar que há casos em que é necessário um acompanhamento e tratamento profissional.

“Cuidamos das doenças do corpo muito prontamente. Elas são muito dolorosas para nos permitir dormir em silêncio e logo nos impelem a procurar um médico ou cirurgião para nos curar. Oh, quem dera fôssemos assim tão atentos em relação às mais sérias feridas de nosso homem interior.”
(Charles Spurgeon)

E como Cristo mesmo nos diz:

“Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância” (João 10:10).

Que busquemos viver abundamente para a glória do Senhor!

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