Durante a leitura da Palavra e a vida cristã prática, percebemos a necessidade de viver relacionamentos que nos aproximam de Deus. Mas será que isso realmente importa? Ter amizades cristãs não é algo opcional? Nesse texto, entenderemos o valor do relacionamento intencional à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, antes da Criação, Deus já se mostrava como um ser que se importa com as relações. Em sua natureza, ele é um Deus relacional, pois está, desde o princípio, em constante comunhão com a Trindade (Gn 1.26). Quando o Senhor criou o homem, ele desejava se relacionar com ele em plena comunhão. Sabemos que esse relacionamento foi afetado pelo pecado que separou o homem de Deus, mas que, pela morte de Cristo, foi restaurado e redimido. Além disso, os seres humanos foram criados como imagem e semelhança do Criador.
É por isso que, naturalmente, refletimos a necessidade da comunhão com outros, pois essa característica de Deus foi atribuída a nós.
São por esses motivos, inicialmente, que entendemos o porquê de sermos seres relacionais, não como opção, mas como parte da essência da criação humana. Por isso, ouso dizer que
relacionamentos não são algo opcional, mas sim o que fomos criados para viver desde o princípio.
Não há introversão ou personalidade solitária que vá contra isso, pois o que digo não diz respeito a termos de personalidade. Independentemente de sermos comunicativos, extrovertidos ou não, sentiremos a necessidade de ter pessoas conosco.
Essa necessidade partiu, primeiramente, de Adão. Em Gênesis 2, Deus dá a ele a tarefa de nomear os animais a fim de que o próprio Adão pudesse perceber a sua solidão, pois cada animal tinha seu par (“Entretanto, não se achou alguém que o correspondesse”, vs. 20). Então Deus criou Eva para se relacionar com Adão. Depois disso, Deus ordenou que eles se multiplicassem, dando a oportunidade para a construção de novos tipos de relações. É por isso que eu creio que Deus ama relacionamentos, pois eles podem ser um meio de graça na vida daqueles que os tem.
Em João 17, numa das últimas orações de Jesus, ele pede ao Pai que aqueles que o seguissem buscassem ser um como ele mesmo é com o Pai, para que houvesse plena comunhão entre os crentes assim como é na Trindade e para que o mundo cresse que o Pai enviou o Filho. E por esses motivos também, precisamos conversar sobre os relacionamentos intencionais na igreja.
Relacionamentos intencionais são relacionamentos no qual ajudamos uns aos outros a seguir Jesus. Eles também são conhecidos por “discipulado” ou apenas “amizade cristã”, mas todos mantêm a mesma essência.
Sabemos que poucos são os que vivem isso na Igreja da maneira como eles devem ser segundo a vontade de Deus. Um dos principais motivos é o individualismo presente no meio eclesiátisco. Aparentemente, é mais cômodo acompanhar a vida de alguém pelas telas, à distância, não se dispor, pois um relacionamento custa muito. Porém, esse tipo de pensamento é baseado no egoísmo, algo que não deve se aplicar a vida de um seguidor de Jesus.
Isso porque Cristo não viveu para si doando-se todos os dias durante seu ministério. Em seus dias, Jesus foi capaz de falar com multidões, curar todos os tipos de enfermidades, corrigir os erros dos mestres da lei com firmeza, ensinar os discípulos e ter momentos a sós com o Pai.
Se somos seus imitadores, devemos estar tão dispostos aos relacionamentos como Jesus esteve.
Por isso, creio que relacionamento é uma ordem e não um desejo se podemos tê-lo ou não. Nascemos para nos relacionar. Nenhuma desculpa ou característica dos nossos tempos são suficientes para nos afastar do propósito de Deus para as amizades. Partindo disso, já podemos entender o porquê do uso da palavra “intencional”. Os relacionamentos intencionais só acontecerão se nós, ativamente, os criarmos e mantivermos. A minha intenção é me aproximar de alguém, criar um vínculo e mantê-lo. A passividade não é algo em questão, pois se somos passivos, isso nos levará à solidão e, no fim, ao egoísmo.
O relacionamento intencional é discipulado! O Senhor nos convida a fazer discípulos. Infelizmente, o entendimento mais comum sobre discipulado nas igrejas é limitado, de forma que ele se tornou apenas o ato de evangelizar, ganhar uma alma para Cristo e depois se ver livre daquela pessoa. Contudo, o discipulado vai além disso.
O Senhor nos chama a caminhar com os novos na fé e ensiná-los a caminhar com Jesus, assim como ele fez.
O que vemos Cristo fazendo com cada discípulo? Ele os convida a segui-lo e anda com eles, os ensina, repreende e ama. É necessário aprender esse outro lado do discipulado, pois somos responsáveis pelas almas que conduzimos a Cristo.
Esses vínculos surgirão por relacionamentos de vivência. Não podemos reduzir tudo aos encontros nos cultos, mas sim vivermos juntos uns com os outros assim como a Igreja Primitiva fazia (At 2.42-47). Experimente visitar um irmão, saia para tomar sorvete com um novo convertido da sua igreja que não tem amigos, faça um bolo e mande pra alguém que precisa de atenção e cuidado, ande com os jovens da igreja que estudam com você na mesma universidade, escreva cartas para alguém. Se importe! É isso que Deus quer de nós.
Porém, é necessário entender que
“quanto mais pecadores se aproximam, mais a sujeira de um atingirá o outro”.
Portanto, nem tudo será fácil, pois nossa natureza pecaminosa se apresentará em alguns momentos. Nesses casos, pense em Cristo. A sua sujeira o atingiu completamente na Cruz, e mesmo assim ele ainda te convida a segui-lo. Imite-o, agindo com graça, fazendo o mesmo com o seu irmão nos momentos mais difíceis da relação.
Provei a você, com a ajuda da Palavra, que precisamos nos relacionar como Corpo de Cristo. Meu desejo é que vivamos a ordem que o Senhor nos deu.
Assim como ele fez no Jardim com Adão, Deus olha para a nossa solidão e diz “Não é bom”.
Que você entenda o valor do que é dito na Palavra de Deus sobre os relacionamentos intencionais e busque, imediatamente, vivê-los para a glória de Deus.

Giselle Vital, 18 anos, faz parte da equipe de ecritoras do Agraciar e é um membro atuante em sua comunidade local.
