Relacionamentos da Bíblia que apontam para Cristo

Relacionamentos da Bíblia que apontam para Cristo

Quando o Senhor criou o homem, viu que não era bom que este estivesse sozinho, e trazendo Eva à Adão, formou o primeiro tipo de relacionamento humano, cheio de bondade e perfeição.


A partir deste relacionamento todos os outros foram sendo formados, e isso não foi obra do acaso. Deus sabia e desejava que os homens tivessem relacionamentos que durassem e assim glorificassem seu nome.
Mas como todas as coisas, os relacionamentos foram contaminados pelo pecado e o propósito real destas coisas foi desaparecendo no meio de nossos círculos de amizades. Agora nos relacionamos não somente – ou principalmente – para glorificar a Cristo, mas muitas vezes para inflar o nosso ego e para satisfação de nossos desejos.


Sendo assim, devemos avaliar as motivações do nosso coração ao nos relacionarmos, assim como precisamos aprender a amar o próximo como a nós mesmos.



Há, em particular, um rico exemplo explorado na Bíblia: a amizade de Paulo e Timóteo.


1. Em primeiro lugar, Paulo foi intencional ao se aproximar de Timóteo. Seu coração se apegou ao daquele jovem de modo que Paulo o chama de “filho na fé”. Em seu relacionamento, havia não somente o desejo de ser ajudado em suas aflições mas de ser ensinado o caminho da retidão à Timóteo Paulo estava disposto a ensinar o que fosse necessário para que este pudesse cumprir a vontade do Senhor.
E aqui há algo muito importante: o foco não era que por meio de sua amizade ele pudesse agaranhar benefícios, mas dar-se ao outro a ponto de, se necessário, morrer por isto.


2. Em segundo lugar, outro ponto é que havia amor na correção e na instrução. Paulo não ensinava de modo a se vangloriar por talvez ter conhecimento mais profundo que os jovem Timóteo, mas esse sério amor ensinava ele o que de Cristo havia aprendido. E por fim, o jovem Timóteo, com singeleza de coração, recebia de seu amigo e pai na fé aquilo que era dito. Assim como Paulo foi em muitos momentos de grande ajuda a Timóteo, o jovem pastor também foi uma braço forte nas aflições do apóstolo, permanecendo com ele em suas em suas prisões e vergonha.


Como o ferro afiando ferro, a amizade verdadeira corrige em amor enquanto carrega o próximo em seus lombos. Cristo se entregou por nós e nos chama de amigos ele próprio se entregou e permaneceu fiel de modo que em nossos relacionamentos devemos ser guiados pelos modelos bíblicos amando corrigindo e cuidando daqueles a quem amamos não na busca por benefício próprio, mas do outro.

Nadya Santos, faz parte da equipe Agraciar como escritora, e é um membro atuante na sua comunidade local (IEB Floriano).

O reflexo da Trindade nas relações: o que a Trindade me ensina sobre relacionamentos?

O reflexo da Trindade nas relações: o que a Trindade me ensina sobre relacionamentos?

Partindo do entendimento de que somos seres criados à imagem de Deus (imago dei), reconhecemos que existem em nós, atributos que nos foram concedidos por Deus, estes são conhecidos como atributos comunicáveis. Alguns exemplos de atributos comunicáveis de Deus são: amor, bondade, misericórdia, justiça, santidade, liberdade, etc.

A criação reflete a imagem de quem a criou, desde a beleza da natureza até as relações interpessoais; sendo assim, os nossos relacionamentos também refletem algo que já existia antes mesmo da criação do mundo: a Trindade.

Vamos analisar: se a Bíblia afirma que Deus é amor (em essência), então o que Ele amava antes de ter criado alguma coisa?

Deus exercitava o amor antes de todas as coisas no seu relacionamento trinitário. Este amor se expandiu, transbordou, sendo derramado sobre a “cereja do bolo” da sua criação: o homem. E ao contrário do que muitos pensam, o homem não foi criado para que Deus pudesse se sentir completo em nós, pois Ele já é completo em si mesmo: na eterna e bendita relação entre Pai, Filho e Espírito. Mas foi em decorrência deste amor transbordante que nós fomos criados, e ainda por cima, convidados a participar desta comunhão, deste amor maravilhoso da Trindade.

Podemos então, ter por base que Deus nunca esteve só. O ser Eterno, criador do universo, sustentador de todas as coisas é comunidade. Ao criar o homem, Deus viu que não era bom que Adão estivesse só, porque tendo o criado a sua imagem e semelhança, sabia que a comunhão era essencial para a vida de Adão.

Pense comigo: não é interessante o fato de que desde o primeiro livro da bíblia, até o último, Deus sempre trata os relacionamentos do seu povo?

1- Adão e Eva, o primeiro casal; Deus instrui Adão que deveria instruir Eva, os dois pecam, saem do jardim, mas Deus ainda os abençoa e eles constituem a primeira família; o pecado com o seu potencial para morte, gera a primeira interferência na ordem relacional de Deus para a criação: Caim mata seu irmão Abel. À partir daí, outras famílias surgem, o pecado continua interferindo na harmonia das relações, mas Deus sempre seleciona homens e mulheres que fazem a diferença em meio a todo caos relacional ocasionado pelo pecado.

2- Chegamos a Moisés, com os 10 mandamentos (e a lei mosaica como um todo); se nos atentarmos a eles, podemos perceber o olhar de Deus para as relações. Estudiosos das leis antigas, reconhecem que a lei mosaica foi um dos, senão o primeiro conjunto de leis que demonstrou preocupação com os direitos humanos. Porque isto? Um dos motivos é porque Deus se preocupa com relações. Por conta do pecado, os relacionamentos foram corrompidos, por isso deve haver algum tipo de ordem para que haja bons relacionamentos em comunidade.

3- Mais à frente, com o advento de Cristo, podemos ler e ouvir através dos relatos dos evangelhos, o próprio Deus encarnado reforçando sua preocupação com o relacionamento do seu povo:

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” – João 13.34

Isto é apenas um dos diversos versículos em que Jesus nos ordena a amar os nossos irmãos. Mais do que isto, por meio de Cristo e seu sacrifício na cruz, fomos redimidos, inclusive os nossos relacionamentos. Por meio dEle, hoje podemos ter relacionamentos saudáveis, duradouros e que glorifiquem a Deus, sem a necessidade de uma lei pactual que nos ordene isto. Podemos amar porque Ele nos amou e nos ensinou isto, e porque agora sua lei perfeita está gravada em nossos corações.

Paulo nas suas cartas, inspirado pelo Espírito Santo, também ensina às igrejas para as quais escreveu, sobre a importância do relacionamento do corpo:

“Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração.”
Colossenses 3:16


“Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.”
1 Tessalonicenses 5:11


“Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.”
2 Coríntios 13:11

Nisso tudo, podemos ver o agir da Trindade na criação, operando em prol dos relacionamentos humanos:

  • Deus Pai, ordenando desde o princípio que o homem se relacione e reordenando relacionamentos desajustados;
  • Deus filho, encarnado, dando ao homem um novo mandamento: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e reafirmando a importância das relações entre o povo de Deus;
  • e Deus Espírito Santo, inspirando homens de Deus a escreverem sobre comunhão às igrejas daquela época, cartas que chegaram até nós e nos ensinam; além disso, operando grandiosamente nos corações do povo de Deus, nos tornando parte do corpo e instigando em nossos corações a necessidade de viver em comunidade.

É importante ressaltar que a Trindade é um só Deus. E este Deus atua desde a criação do mundo, repassando aos seres criados um pouco do deleite da sua própria comunhão: a perfeita comunhão da Trindade.

É o desejo do Deus trino que seu povo seja comunidade, para que dessa forma, todos nós sejamos UM com Ele, partilhando da santíssima comunhão que existe eternamente.

“Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”
– João 17.22-23

Letícia Freitas, criadora do Agraciar, reside em Floriano-PI, membro atuante em sua comunidade local (IEB Floriano).

Relacionamentos intencionais – o que são?

Relacionamentos intencionais – o que são?

Durante a leitura da Palavra e a vida cristã prática, percebemos a necessidade de viver relacionamentos que nos aproximam de Deus. Mas será que isso realmente importa? Ter amizades cristãs não é algo opcional? Nesse texto, entenderemos o valor do relacionamento intencional à luz das Escrituras.

Em primeiro lugar, antes da Criação, Deus já se mostrava como um ser que se importa com as relações. Em sua natureza, ele é um Deus relacional, pois está, desde o princípio, em constante comunhão com a Trindade (Gn 1.26). Quando o Senhor criou o homem, ele desejava se relacionar com ele em plena comunhão. Sabemos que esse relacionamento foi afetado pelo pecado que separou o homem de Deus, mas que, pela morte de Cristo, foi restaurado e redimido. Além disso, os seres humanos foram criados como imagem e semelhança do Criador.

É por isso que, naturalmente, refletimos a necessidade da comunhão com outros, pois essa característica de Deus foi atribuída a nós.

São por esses motivos, inicialmente, que entendemos o porquê de sermos seres relacionais, não como opção, mas como parte da essência da criação humana. Por isso, ouso dizer que

relacionamentos não são algo opcional, mas sim o que fomos criados para viver desde o princípio.

Não há introversão ou personalidade solitária que vá contra isso, pois o que digo não diz respeito a termos de personalidade. Independentemente de sermos comunicativos, extrovertidos ou não, sentiremos a necessidade de ter pessoas conosco.

Essa necessidade partiu, primeiramente, de Adão. Em Gênesis 2, Deus dá a ele a tarefa de nomear os animais a fim de que o próprio Adão pudesse perceber a sua solidão, pois cada animal tinha seu par (“Entretanto, não se achou alguém que o correspondesse”, vs. 20). Então Deus criou Eva para se relacionar com Adão. Depois disso, Deus ordenou que eles se multiplicassem, dando a oportunidade para a construção de novos tipos de relações. É por isso que eu creio que Deus ama relacionamentos, pois eles podem ser um meio de graça na vida daqueles que os tem.

Em João 17, numa das últimas orações de Jesus, ele pede ao Pai que aqueles que o seguissem buscassem ser um como ele mesmo é com o Pai, para que houvesse plena comunhão entre os crentes assim como é na Trindade e para que o mundo cresse que o Pai enviou o Filho. E por esses motivos também, precisamos conversar sobre os relacionamentos intencionais na igreja.

Relacionamentos intencionais são relacionamentos no qual ajudamos uns aos outros a seguir Jesus. Eles também são conhecidos por “discipulado” ou apenas “amizade cristã”, mas todos mantêm a mesma essência.

Sabemos que poucos são os que vivem isso na Igreja da maneira como eles devem ser segundo a vontade de Deus. Um dos principais motivos é o individualismo presente no meio eclesiátisco. Aparentemente, é mais cômodo acompanhar a vida de alguém pelas telas, à distância, não se dispor, pois um relacionamento custa muito. Porém, esse tipo de pensamento é baseado no egoísmo, algo que não deve se aplicar a vida de um seguidor de Jesus.

Isso porque Cristo não viveu para si doando-se todos os dias durante seu ministério. Em seus dias, Jesus foi capaz de falar com multidões, curar todos os tipos de enfermidades, corrigir os erros dos mestres da lei com firmeza, ensinar os discípulos e ter momentos a sós com o Pai.

Se somos seus imitadores, devemos estar tão dispostos aos relacionamentos como Jesus esteve.

Por isso, creio que relacionamento é uma ordem e não um desejo se podemos tê-lo ou não. Nascemos para nos relacionar. Nenhuma desculpa ou característica dos nossos tempos são suficientes para nos afastar do propósito de Deus para as amizades. Partindo disso, já podemos entender o porquê do uso da palavra “intencional”. Os relacionamentos intencionais só acontecerão se nós, ativamente, os criarmos e mantivermos. A minha intenção é me aproximar de alguém, criar um vínculo e mantê-lo. A passividade não é algo em questão, pois se somos passivos, isso nos levará à solidão e, no fim, ao egoísmo.

O relacionamento intencional é discipulado! O Senhor nos convida a fazer discípulos. Infelizmente, o entendimento mais comum sobre discipulado nas igrejas é limitado, de forma que ele se tornou apenas o ato de evangelizar, ganhar uma alma para Cristo e depois se ver livre daquela pessoa. Contudo, o discipulado vai além disso.

O Senhor nos chama a caminhar com os novos na fé e ensiná-los a caminhar com Jesus, assim como ele fez.

O que vemos Cristo fazendo com cada discípulo? Ele os convida a segui-lo e anda com eles, os ensina, repreende e ama. É necessário aprender esse outro lado do discipulado, pois somos responsáveis pelas almas que conduzimos a Cristo.

Esses vínculos surgirão por relacionamentos de vivência. Não podemos reduzir tudo aos encontros nos cultos, mas sim vivermos juntos uns com os outros assim como a Igreja Primitiva fazia (At 2.42-47). Experimente visitar um irmão, saia para tomar sorvete com um novo convertido da sua igreja que não tem amigos, faça um bolo e mande pra alguém que precisa de atenção e cuidado, ande com os jovens da igreja que estudam com você na mesma universidade, escreva cartas para alguém. Se importe! É isso que Deus quer de nós.

Porém, é necessário entender que

“quanto mais pecadores se aproximam, mais a sujeira de um atingirá o outro”.

Portanto, nem tudo será fácil, pois nossa natureza pecaminosa se apresentará em alguns momentos. Nesses casos, pense em Cristo. A sua sujeira o atingiu completamente na Cruz, e mesmo assim ele ainda te convida a segui-lo. Imite-o, agindo com graça, fazendo o mesmo com o seu irmão nos momentos mais difíceis da relação.

Provei a você, com a ajuda da Palavra, que precisamos nos relacionar como Corpo de Cristo. Meu desejo é que vivamos a ordem que o Senhor nos deu.

Assim como ele fez no Jardim com Adão, Deus olha para a nossa solidão e diz “Não é bom”.

Que você entenda o valor do que é dito na Palavra de Deus sobre os relacionamentos intencionais e busque, imediatamente, vivê-los para a glória de Deus.

Giselle Vital, 18 anos, faz parte da equipe de ecritoras do Agraciar e é um membro atuante em sua comunidade local.