Como posso ter relacionamentos intencionais na Igreja?

Como posso ter relacionamentos intencionais na Igreja?

Quando pensamos em relacionamento logo vem à mente os benefícios dele, o prazer de nos relacionarmos uns com os outros, o que ganhamos em troca e o alicerce em ter pessoas para os dias bons e ruins.

Ter um relacionamento intencional nada mais é do que intencionalmente se relacionar com alguém, é olhar para uma pessoa e desejar no seu coração envolver-se com elaParece simples falar, contudo, tal relacionamento exige tempo, amor abnegado, dedicação, investimento físico, emocional e espiritual. Tudo isso é estranhamente difícil nos nossos dias, visto que os relacionamentos são frágeis, líquidos e descartáveis.

Vivemos em uma época de gratificação instantânea, ou seja, o que precisa ser cultivado é menos atrativo e o que demanda trabalho é cansativo.

Então como mostrar intencionalidade em nossos relacionamentos, inclusive dentro das nossas igrejas?

  1. Em primeiro lugar, TENHA UM RELACIONAMENTO COM DEUS. Em 1 Jo 4:19 diz que nós amamos porque Deus nos amou primeiro. Essa capacidade de amarmos provém do amor do qual somos alvos. Antes de olhar para alguém e decidir amá-la precisamos compreender como Deus faz isso conosco, Ele nos atraiu, nos escolheu e sem querer nada em troca nos amou, ou temos isso em mente ou jamais seremos capazes de fazer com outros, por que nossas intenções sempre serão regadas por um certo egoísmo e inconstância.
  2. NÃO FAÇA ACEPÇÃO DE PESSOAS. É fácil amar os amáveis, os que chegam e nos abraçam e os que nos cativam com sorrisos, mas quando falamos de relacionamentos intencionais, falamos de olhar indistintamente e fazer o que Jesus fez.
  • Cristo intencionalmente se aproximou de um certo Pedro e o amou, mesmo sabendo da sua impulsividade, sua inconstância e sua vergonha de na hora da angústia não reconhecê-lo como amigo.
  • Ele decidiu se aproximar de um Tomé que não deu crédito a Suas palavras.
  • Ele escolheu para amiga querida uma Marta que preferia arrumar a casa e fazer o lanche, a estar em Sua companhia.
  • Com intenções de amor escolheu um Judas que o traiu.
  • Diante de um pobre rapaz rico que preferiu o dinheiro, Cristo se aproxima e ama.
  • E Ele muda o rumo de uma viagem longa, simplesmente para se relacionar intencionalmente com uma mulher excluída e perdida em seus muitos pecados e por meio disso, a salva.

Então,

se quisermos amar pessoas, fáceis ou não, teremos que amar a medida de Jesus, sem qualquer distinção.

3. APROXIME-SE DE PESSOAS REAIS E NÃO DE TELAS, sim! Quase impossível eu sei, visto que, preferimos enviar uma mensagem a ter contato pessoal, não saímos mais das nossas casas porque nos acostumamos a praticidade de um texto na tela e nos preocupamos mais com os virtuais que com os presentes. Vivemos em um mundo pobre de relacionamentos por que achamos que uma mísera interação por meio de uma publicação basta, chamamos de amigos quem nunca vimos, seguimos e somos seguidos por desconhecidos, nos comovemos com histórias distantes quando temos tantas que podemos construir…                                                                                           
Quer se relacionar de verdade?

Invista com sua presença, marque a história de outros com sua própria vida, silencie o celular, ouça de pertinho a voz de pessoas reais, aperte mãos de verdade sem se satisfazer com um emogi no seu lugar, sorria sem um “kkk”, crave os sorrisos, encontros e passeios na memória e não nos status, crie laços e surpreenda aquele(a) que seu coração escolher.

O nosso modelo de amor e relacionamento intencional sempre será o próprio Jesus Cristo, Ele nos ensina a amar uns aos outros (1 Ts 4:9), sem ambição egoísta ou vaidade, mas considerando os outros superiores a nós mesmos (Fl 2:3), nos ensina a curar outros ouvindo a confissão dos seus pecados (Tg 5:16) e em oração roga ao Pai para sejamos um (Jo 17:21).

Diante disto, fica o desafio para cada uma de nós: Orar, escolher pessoas e de forma altruísta amá-las intencionalmente. A igreja é o lugar ideal para isso, somos um só corpo, temos um só Senhor e iremos para o mesmo céu, portanto, expanda sua visão além daqueles que já possuem seu afeto, seu abraço, suas orações e seu cuidado, acredite, há muitos que precisam de você, basta olhar para o lado. 

AME DE PROPÓSITO !

Mirla Rocha faz parte da equipe Agraciar, é um membro atuante na sua igreja local (IEB Floriano).

Relacionamentos da Bíblia que apontam para Cristo

Relacionamentos da Bíblia que apontam para Cristo

Quando o Senhor criou o homem, viu que não era bom que este estivesse sozinho, e trazendo Eva à Adão, formou o primeiro tipo de relacionamento humano, cheio de bondade e perfeição.


A partir deste relacionamento todos os outros foram sendo formados, e isso não foi obra do acaso. Deus sabia e desejava que os homens tivessem relacionamentos que durassem e assim glorificassem seu nome.
Mas como todas as coisas, os relacionamentos foram contaminados pelo pecado e o propósito real destas coisas foi desaparecendo no meio de nossos círculos de amizades. Agora nos relacionamos não somente – ou principalmente – para glorificar a Cristo, mas muitas vezes para inflar o nosso ego e para satisfação de nossos desejos.


Sendo assim, devemos avaliar as motivações do nosso coração ao nos relacionarmos, assim como precisamos aprender a amar o próximo como a nós mesmos.



Há, em particular, um rico exemplo explorado na Bíblia: a amizade de Paulo e Timóteo.


1. Em primeiro lugar, Paulo foi intencional ao se aproximar de Timóteo. Seu coração se apegou ao daquele jovem de modo que Paulo o chama de “filho na fé”. Em seu relacionamento, havia não somente o desejo de ser ajudado em suas aflições mas de ser ensinado o caminho da retidão à Timóteo Paulo estava disposto a ensinar o que fosse necessário para que este pudesse cumprir a vontade do Senhor.
E aqui há algo muito importante: o foco não era que por meio de sua amizade ele pudesse agaranhar benefícios, mas dar-se ao outro a ponto de, se necessário, morrer por isto.


2. Em segundo lugar, outro ponto é que havia amor na correção e na instrução. Paulo não ensinava de modo a se vangloriar por talvez ter conhecimento mais profundo que os jovem Timóteo, mas esse sério amor ensinava ele o que de Cristo havia aprendido. E por fim, o jovem Timóteo, com singeleza de coração, recebia de seu amigo e pai na fé aquilo que era dito. Assim como Paulo foi em muitos momentos de grande ajuda a Timóteo, o jovem pastor também foi uma braço forte nas aflições do apóstolo, permanecendo com ele em suas em suas prisões e vergonha.


Como o ferro afiando ferro, a amizade verdadeira corrige em amor enquanto carrega o próximo em seus lombos. Cristo se entregou por nós e nos chama de amigos ele próprio se entregou e permaneceu fiel de modo que em nossos relacionamentos devemos ser guiados pelos modelos bíblicos amando corrigindo e cuidando daqueles a quem amamos não na busca por benefício próprio, mas do outro.

Nadya Santos, faz parte da equipe Agraciar como escritora, e é um membro atuante na sua comunidade local (IEB Floriano).

O reflexo da Trindade nas relações: o que a Trindade me ensina sobre relacionamentos?

O reflexo da Trindade nas relações: o que a Trindade me ensina sobre relacionamentos?

Partindo do entendimento de que somos seres criados à imagem de Deus (imago dei), reconhecemos que existem em nós, atributos que nos foram concedidos por Deus, estes são conhecidos como atributos comunicáveis. Alguns exemplos de atributos comunicáveis de Deus são: amor, bondade, misericórdia, justiça, santidade, liberdade, etc.

A criação reflete a imagem de quem a criou, desde a beleza da natureza até as relações interpessoais; sendo assim, os nossos relacionamentos também refletem algo que já existia antes mesmo da criação do mundo: a Trindade.

Vamos analisar: se a Bíblia afirma que Deus é amor (em essência), então o que Ele amava antes de ter criado alguma coisa?

Deus exercitava o amor antes de todas as coisas no seu relacionamento trinitário. Este amor se expandiu, transbordou, sendo derramado sobre a “cereja do bolo” da sua criação: o homem. E ao contrário do que muitos pensam, o homem não foi criado para que Deus pudesse se sentir completo em nós, pois Ele já é completo em si mesmo: na eterna e bendita relação entre Pai, Filho e Espírito. Mas foi em decorrência deste amor transbordante que nós fomos criados, e ainda por cima, convidados a participar desta comunhão, deste amor maravilhoso da Trindade.

Podemos então, ter por base que Deus nunca esteve só. O ser Eterno, criador do universo, sustentador de todas as coisas é comunidade. Ao criar o homem, Deus viu que não era bom que Adão estivesse só, porque tendo o criado a sua imagem e semelhança, sabia que a comunhão era essencial para a vida de Adão.

Pense comigo: não é interessante o fato de que desde o primeiro livro da bíblia, até o último, Deus sempre trata os relacionamentos do seu povo?

1- Adão e Eva, o primeiro casal; Deus instrui Adão que deveria instruir Eva, os dois pecam, saem do jardim, mas Deus ainda os abençoa e eles constituem a primeira família; o pecado com o seu potencial para morte, gera a primeira interferência na ordem relacional de Deus para a criação: Caim mata seu irmão Abel. À partir daí, outras famílias surgem, o pecado continua interferindo na harmonia das relações, mas Deus sempre seleciona homens e mulheres que fazem a diferença em meio a todo caos relacional ocasionado pelo pecado.

2- Chegamos a Moisés, com os 10 mandamentos (e a lei mosaica como um todo); se nos atentarmos a eles, podemos perceber o olhar de Deus para as relações. Estudiosos das leis antigas, reconhecem que a lei mosaica foi um dos, senão o primeiro conjunto de leis que demonstrou preocupação com os direitos humanos. Porque isto? Um dos motivos é porque Deus se preocupa com relações. Por conta do pecado, os relacionamentos foram corrompidos, por isso deve haver algum tipo de ordem para que haja bons relacionamentos em comunidade.

3- Mais à frente, com o advento de Cristo, podemos ler e ouvir através dos relatos dos evangelhos, o próprio Deus encarnado reforçando sua preocupação com o relacionamento do seu povo:

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” – João 13.34

Isto é apenas um dos diversos versículos em que Jesus nos ordena a amar os nossos irmãos. Mais do que isto, por meio de Cristo e seu sacrifício na cruz, fomos redimidos, inclusive os nossos relacionamentos. Por meio dEle, hoje podemos ter relacionamentos saudáveis, duradouros e que glorifiquem a Deus, sem a necessidade de uma lei pactual que nos ordene isto. Podemos amar porque Ele nos amou e nos ensinou isto, e porque agora sua lei perfeita está gravada em nossos corações.

Paulo nas suas cartas, inspirado pelo Espírito Santo, também ensina às igrejas para as quais escreveu, sobre a importância do relacionamento do corpo:

“Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração.”
Colossenses 3:16


“Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.”
1 Tessalonicenses 5:11


“Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.”
2 Coríntios 13:11

Nisso tudo, podemos ver o agir da Trindade na criação, operando em prol dos relacionamentos humanos:

  • Deus Pai, ordenando desde o princípio que o homem se relacione e reordenando relacionamentos desajustados;
  • Deus filho, encarnado, dando ao homem um novo mandamento: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e reafirmando a importância das relações entre o povo de Deus;
  • e Deus Espírito Santo, inspirando homens de Deus a escreverem sobre comunhão às igrejas daquela época, cartas que chegaram até nós e nos ensinam; além disso, operando grandiosamente nos corações do povo de Deus, nos tornando parte do corpo e instigando em nossos corações a necessidade de viver em comunidade.

É importante ressaltar que a Trindade é um só Deus. E este Deus atua desde a criação do mundo, repassando aos seres criados um pouco do deleite da sua própria comunhão: a perfeita comunhão da Trindade.

É o desejo do Deus trino que seu povo seja comunidade, para que dessa forma, todos nós sejamos UM com Ele, partilhando da santíssima comunhão que existe eternamente.

“Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”
– João 17.22-23

Letícia Freitas, criadora do Agraciar, reside em Floriano-PI, membro atuante em sua comunidade local (IEB Floriano).