Não há como falar de relacionamento, sem antes ressaltar o principal deles – com nosso Criador. Como uma fogueira precisa de lenha para manter-se acesa, assim nós carecemos da comunhão diária com Deus – entrar no seu quarto, fechar sua porta, pegar sua Bíblia, se achegar confiadamente ao trono da graça e, com sinceridade de coração, se relacionar com aquele que é a razão pela qual existimos!
Não se trata de regra ou religiosidade, mas de construir um relacionamento saudável e de intimidade com Deus através de sua palavra, da oração, da própria natureza criada por Ele e da comunhão com os irmãos. Não ser apenas servo, mas amigo e filho!
O fato é que precisamos estar arraigados, como ramos, naquele que é a videira verdadeira. Ele que entregou sua própria vida em nosso favor, sem pecado algum, “Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” Isaías 53:5-6
Como podemos desprezar tamanho amor?! Ele nos amou primeiro, por isso somos capacitados a amar outros (1 João 4:19).
Quando falamos de relacionamento intencional, precisamos ter em mente que somos amados por Deus e que esse mesmo amor nos ensina e impulsiona a amar outros da mesma forma. “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, esse é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” 1 João 4:20
A base para todo relacionamento cristão deve ser a comunhão e intimidade com Deus.
Quando entendemos que Deus é nosso maior exemplo, sendo Ele o próprio amor que nos ensina a amar outros, facilmente nos relacionamos com as pessoas, amamos e cuidamos assim como Deus faz conosco. Mantenhamos a chama acesa e acendamos em outros também, para que possam experimentar a beleza e graciosidade de um relacionamento com o Pai! “E nós conhecemos o amor e cremos neste amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.” 1 João 4:16
Esse mesmo Deus nos promete vida eterna ao seu lado. Portanto, não andemos contentados com o que há neste mundo passageiro. Prossigamos com os olhos e o coração no que é ETERNO. Essa é a esperança que nos move!
Gláucia Alencar, faz parte da equipe de escritoras do Agraciar e é uma serva atuante na sua comunidade local.
Mateus 9:11: “Quando os fariseus viram isso, perguntaram aos discípulos dele: “Por que ceia o vosso mestre com publicanos e pecadores?”
O ministério de Jesus foi marcado por rompimento de barreiras de ordem relacional e cultural. Nosso mestre nessa passagem acima apresentada chama a atenção dos fariseus ao ser visto constantemente se relacionando com pessoas nada bem quistas pela sociedade da época. No entanto, a motivação do nosso mestre é apresentada por ele no verso seguinte, ao afirmar:
“12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. 13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.”
Nesse cenário, portanto, Jesus mostra a importância dos relacionamentos para a propagação do evangelho do arrependimento. Jesus, se envolveu com a dor de pessoas, ele ouviu histórias, ele estava em momentos de dor como no velório de Lázaro, e em como tantos outros momentos do seu ministério. Jesus demonstrara amor por quem não merecia, mesmo sendo o próprio Deus.
Ao analisar o ministério de Jesus percebemos que a prática de pregar o evangelho é fundada em relacionamentos intencionais.
Dentro das nossas igrejas percebemos um grande perigo em nos fecharmos em nosso grupo social cristão. As razões permeiam desde o fato de ser mais confortável conversar com alguém que fala a mesma língua que você, ao fato de estarmos com receio de incorrer naquilo que o Salmo 1 apresenta: “sentar na roda dos escarnecedores”.
A resposta para primeira razão é encontrada na própria vida de Jesus. Ele sendo o próprio Deus se relacionou com pecadores, e quando se viu rodeados de crentes ele não parou. Ele não se conformou, ele motivou os discípulos a amarem vidas e propagarem o seu sacrifício por que eles testificaram que Ele era a resposta para a esperança do mundo, até que a igreja se formasse hoje, e o evangelho chegasse até você, caro leitor (a).
No prisma da segunda razão vemos uma resposta carregada de espiritualidade. Mas, temos que meditar acerca da perspectiva que o texto é encarado. O salmista ao revelar a dicotomia entre o justo e o ímpio ele a atrela ao fato do prazer do Justo está no Senhor, e não na roda de escarnecedores, e nem no conselho dos ímpios.
Assim, o fato de você se relacionar com pessoas não cristã por si só não lhe torna ímpio (a). O que será determinante será onde está o seu coração e como você frutifica com os não crentes.
Seja intencional, ame, doe, seja presente na vida daqueles que necessitam de Cristo. A chance de ele ouvir um amigo é bem maior, acredite! E viva o evangelho, sua vida, seu testemunho de amor poderá ser benção na vida de tantos.
Thaynã Lima, escritora da equipe do Agraciar e é membro atuante na comunidade local.
Quando pensamos em relacionamento logo vem à mente os benefícios dele, o prazer de nos relacionarmos uns com os outros, o que ganhamos em troca e o alicerce em ter pessoas para os dias bons e ruins.
Ter um relacionamento intencional nada mais é do que intencionalmente se relacionar com alguém, é olhar para uma pessoa e desejar no seu coração envolver-se com ela. Parece simples falar, contudo, tal relacionamento exige tempo, amor abnegado, dedicação, investimento físico, emocional e espiritual. Tudo isso é estranhamente difícil nos nossos dias, visto que os relacionamentos são frágeis, líquidos e descartáveis.
Vivemos em uma época de gratificação instantânea, ou seja, o que precisa ser cultivado é menos atrativo e o que demanda trabalho é cansativo.
Então como mostrar intencionalidade em nossos relacionamentos, inclusive dentro das nossas igrejas?
Em primeiro lugar, TENHA UM RELACIONAMENTO COM DEUS. Em 1 Jo 4:19 diz que nós amamos porque Deus nos amou primeiro. Essa capacidade de amarmos provém do amor do qual somos alvos. Antes de olhar para alguém e decidir amá-la precisamos compreender como Deus faz isso conosco, Ele nos atraiu, nos escolheu e sem querer nada em troca nos amou, ou temos isso em mente ou jamais seremos capazes de fazer com outros, por que nossas intenções sempre serão regadas por um certo egoísmo e inconstância.
NÃO FAÇA ACEPÇÃO DE PESSOAS. É fácil amar os amáveis, os que chegam e nos abraçam e os que nos cativam com sorrisos, mas quando falamos de relacionamentos intencionais, falamos de olhar indistintamente e fazer o que Jesus fez.
Cristo intencionalmente se aproximou de um certo Pedro e o amou, mesmo sabendo da sua impulsividade, sua inconstância e sua vergonha de na hora da angústia não reconhecê-lo como amigo.
Ele decidiu se aproximar de um Tomé que não deu crédito a Suas palavras.
Ele escolheu para amiga querida uma Marta que preferia arrumar a casa e fazer o lanche, a estar em Sua companhia.
Com intenções de amor escolheu um Judas que o traiu.
Diante de um pobre rapaz rico que preferiu o dinheiro, Cristo se aproxima e ama.
E Ele muda o rumo de uma viagem longa, simplesmente para se relacionar intencionalmente com uma mulher excluída e perdida em seus muitos pecados e por meio disso, a salva.
Então,
se quisermos amar pessoas, fáceis ou não, teremos que amar a medida de Jesus, sem qualquer distinção.
3. APROXIME-SE DE PESSOAS REAIS E NÃO DE TELAS, sim! Quase impossível eu sei, visto que, preferimos enviar uma mensagem a ter contato pessoal, não saímos mais das nossas casas porque nos acostumamos a praticidade de um texto na tela e nos preocupamos mais com os virtuais que com os presentes. Vivemos em um mundo pobre de relacionamentos por que achamos que uma mísera interação por meio de uma publicação basta, chamamos de amigos quem nunca vimos, seguimos e somos seguidos por desconhecidos, nos comovemos com histórias distantes quando temos tantas que podemos construir… Quer se relacionar de verdade?
Invista com sua presença, marque a história de outros com sua própria vida, silencie o celular, ouça de pertinho a voz de pessoas reais, aperte mãos de verdade sem se satisfazer com um emogi no seu lugar, sorria sem um “kkk”, crave os sorrisos, encontros e passeios na memória e não nos status, crie laços e surpreenda aquele(a) que seu coração escolher.
O nosso modelo de amor e relacionamento intencional sempre será o próprio Jesus Cristo, Ele nos ensina a amar uns aos outros (1 Ts 4:9), sem ambição egoísta ou vaidade, mas considerando os outros superiores a nós mesmos (Fl 2:3), nos ensina a curar outros ouvindo a confissão dos seus pecados (Tg 5:16) e em oração roga ao Pai para sejamos um (Jo 17:21).
Diante disto, fica o desafio para cada uma de nós: Orar, escolher pessoas e de forma altruísta amá-las intencionalmente. A igreja é o lugar ideal para isso, somos um só corpo, temos um só Senhor e iremos para o mesmo céu, portanto, expanda sua visão além daqueles que já possuem seu afeto, seu abraço, suas orações e seu cuidado, acredite, há muitos que precisam de você, basta olhar para o lado.
AME DE PROPÓSITO !
Mirla Rocha faz parte da equipe Agraciar, é um membro atuante na sua igreja local (IEB Floriano).
Quando o Senhor criou o homem, viu que não era bom que este estivesse sozinho, e trazendo Eva à Adão, formou o primeiro tipo de relacionamento humano, cheio de bondade e perfeição.
A partir deste relacionamento todos os outros foram sendo formados, e isso não foi obra do acaso. Deus sabia e desejava que os homens tivessem relacionamentos que durassem e assim glorificassem seu nome. Mas como todas as coisas, os relacionamentos foram contaminados pelo pecado e o propósito real destas coisas foi desaparecendo no meio de nossos círculos de amizades. Agora nos relacionamos não somente – ou principalmente – para glorificar a Cristo, mas muitas vezes para inflar o nosso ego e para satisfação de nossos desejos.
Sendo assim, devemos avaliar as motivações do nosso coração ao nos relacionarmos, assim como precisamos aprender a amar o próximo como a nós mesmos.
Há, em particular, um rico exemplo explorado na Bíblia: a amizade de Paulo e Timóteo.
1. Em primeiro lugar, Paulo foi intencional ao se aproximar de Timóteo. Seu coração se apegou ao daquele jovem de modo que Paulo o chama de “filho na fé”. Em seu relacionamento, havia não somente o desejo de ser ajudado em suas aflições mas de ser ensinado o caminho da retidão à Timóteo Paulo estava disposto a ensinar o que fosse necessário para que este pudesse cumprir a vontade do Senhor. E aqui há algo muito importante: o foco não era que por meio de sua amizade ele pudesse agaranhar benefícios, mas dar-se ao outro a ponto de, se necessário, morrer por isto.
2. Em segundo lugar, outro ponto é que havia amor na correção e na instrução. Paulo não ensinava de modo a se vangloriar por talvez ter conhecimento mais profundo que os jovem Timóteo, mas esse sério amor ensinava ele o que de Cristo havia aprendido. E por fim, o jovem Timóteo, com singeleza de coração, recebia de seu amigo e pai na fé aquilo que era dito. Assim como Paulo foi em muitos momentos de grande ajuda a Timóteo, o jovem pastor também foi uma braço forte nas aflições do apóstolo, permanecendo com ele em suas em suas prisões e vergonha.
Como o ferro afiando ferro, a amizade verdadeira corrige em amor enquanto carrega o próximo em seus lombos. Cristo se entregou por nós e nos chama de amigos ele próprio se entregou e permaneceu fiel de modo que em nossos relacionamentos devemos ser guiados pelos modelos bíblicos amando corrigindo e cuidando daqueles a quem amamos não na busca por benefício próprio, mas do outro.
Nadya Santos, faz parte da equipe Agraciar como escritora, e é um membro atuante na sua comunidade local (IEB Floriano).
Partindo do entendimento de que somos seres criados à imagem de Deus (imago dei), reconhecemos que existem em nós, atributos que nos foram concedidos por Deus, estes são conhecidos como atributos comunicáveis. Alguns exemplos de atributos comunicáveis de Deus são: amor, bondade, misericórdia, justiça, santidade, liberdade, etc.
A criação reflete a imagem de quem a criou, desde a beleza da natureza até as relações interpessoais; sendo assim, os nossos relacionamentos também refletem algo que já existia antes mesmo da criação do mundo: a Trindade.
Vamos analisar: se a Bíblia afirma que Deus é amor (em essência), então o que Ele amava antes de ter criado alguma coisa?
Deus exercitava o amor antes de todas as coisas no seu relacionamento trinitário. Este amor se expandiu, transbordou, sendo derramado sobre a “cereja do bolo” da sua criação: o homem. E ao contrário do que muitos pensam, o homem não foi criado para que Deus pudesse se sentir completo em nós, pois Ele já é completo em si mesmo: na eterna e bendita relação entre Pai, Filho e Espírito. Mas foi em decorrência deste amor transbordante que nós fomos criados, e ainda por cima, convidados a participar desta comunhão, deste amor maravilhoso da Trindade.
Podemos então, ter por base que Deus nunca esteve só. O ser Eterno, criador do universo, sustentador de todas as coisas é comunidade. Ao criar o homem, Deus viu que não era bom que Adão estivesse só, porque tendo o criado a sua imagem e semelhança, sabia que a comunhão era essencial para a vida de Adão.
Pense comigo: não é interessante o fato de que desde o primeiro livro da bíblia, até o último, Deus sempre trata os relacionamentos do seu povo?
1- Adão e Eva, o primeiro casal; Deus instrui Adão que deveria instruir Eva, os dois pecam, saem do jardim, mas Deus ainda os abençoa e eles constituem a primeira família; o pecado com o seu potencial para morte, gera a primeira interferência na ordem relacional de Deus para a criação: Caim mata seu irmão Abel. À partir daí, outras famílias surgem, o pecado continua interferindo na harmonia das relações, mas Deus sempre seleciona homens e mulheres que fazem a diferença em meio a todo caos relacional ocasionado pelo pecado.
2- Chegamos a Moisés, com os 10 mandamentos (e a lei mosaica como um todo); se nos atentarmos a eles, podemos perceber o olhar de Deus para as relações. Estudiosos das leis antigas, reconhecem que a lei mosaica foi um dos, senão o primeiro conjunto de leis que demonstrou preocupação com os direitos humanos. Porque isto? Um dos motivos é porque Deus se preocupa com relações. Por conta do pecado, os relacionamentos foram corrompidos, por isso deve haver algum tipo de ordem para que haja bons relacionamentos em comunidade.
3- Mais à frente, com o advento de Cristo, podemos ler e ouvir através dos relatos dos evangelhos, o próprio Deus encarnado reforçando sua preocupação com o relacionamento do seu povo:
“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” – João 13.34
Isto é apenas um dos diversos versículos em que Jesus nos ordena a amar os nossos irmãos. Mais do que isto, por meio de Cristo e seu sacrifício na cruz, fomos redimidos, inclusive os nossos relacionamentos. Por meio dEle, hoje podemos ter relacionamentos saudáveis, duradouros e que glorifiquem a Deus, sem a necessidade de uma lei pactual que nos ordene isto. Podemos amar porque Ele nos amou e nos ensinou isto, e porque agora sua lei perfeita está gravada em nossos corações.
Paulo nas suas cartas, inspirado pelo Espírito Santo, também ensina às igrejas para as quais escreveu, sobre a importância do relacionamento do corpo:
“Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração.” Colossenses 3:16 “Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.” 1 Tessalonicenses 5:11 “Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.” 2 Coríntios 13:11
Nisso tudo, podemos ver o agir da Trindade na criação, operando em prol dos relacionamentos humanos:
Deus Pai, ordenando desde o princípio que o homem se relacione e reordenando relacionamentos desajustados;
Deus filho, encarnado, dando ao homem um novo mandamento: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e reafirmando a importância das relações entre o povo de Deus;
e Deus Espírito Santo, inspirando homens de Deus a escreverem sobre comunhão às igrejas daquela época, cartas que chegaram até nós e nos ensinam; além disso, operando grandiosamente nos corações do povo de Deus, nos tornando parte do corpo e instigando em nossos corações a necessidade de viver em comunidade.
É importante ressaltar que a Trindade é um só Deus. E este Deus atua desde a criação do mundo, repassando aos seres criados um pouco do deleite da sua própria comunhão: a perfeita comunhão da Trindade.
É o desejo do Deus trino que seu povo seja comunidade, para que dessa forma, todos nós sejamos UM com Ele, partilhando da santíssima comunhão que existe eternamente.
“Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.” – João 17.22-23
Letícia Freitas, criadora do Agraciar, reside em Floriano-PI, membro atuante em sua comunidade local (IEB Floriano).
Durante a leitura da Palavra e a vida cristã prática, percebemos a necessidade de viver relacionamentos que nos aproximam de Deus. Mas será que isso realmente importa? Ter amizades cristãs não é algo opcional? Nesse texto, entenderemos o valor do relacionamento intencional à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, antes da Criação, Deus já se mostrava como um ser que se importa com as relações. Em sua natureza, ele é um Deus relacional, pois está, desde o princípio, em constante comunhão com a Trindade (Gn 1.26). Quando o Senhor criou o homem, ele desejava se relacionar com ele em plena comunhão. Sabemos que esse relacionamento foi afetado pelo pecado que separou o homem de Deus, mas que, pela morte de Cristo, foi restaurado e redimido. Além disso, os seres humanos foram criados como imagem e semelhança do Criador.
É por isso que, naturalmente, refletimos a necessidade da comunhão com outros, pois essa característica de Deus foi atribuída a nós.
São por esses motivos, inicialmente, que entendemos o porquê de sermos seres relacionais, não como opção, mas como parte da essência da criação humana. Por isso, ouso dizer que
relacionamentos não são algo opcional, mas sim o que fomos criados para viver desde o princípio.
Não há introversão ou personalidade solitária que vá contra isso, pois o que digo não diz respeito a termos de personalidade. Independentemente de sermos comunicativos, extrovertidos ou não, sentiremos a necessidade de ter pessoas conosco.
Essa necessidade partiu, primeiramente, de Adão. Em Gênesis 2, Deus dá a ele a tarefa de nomear os animais a fim de que o próprio Adão pudesse perceber a sua solidão, pois cada animal tinha seu par (“Entretanto, não se achou alguém que o correspondesse”, vs. 20). Então Deus criou Eva para se relacionar com Adão. Depois disso, Deus ordenou que eles se multiplicassem, dando a oportunidade para a construção de novos tipos de relações. É por isso que eu creio que Deus ama relacionamentos, pois eles podem ser um meio de graça na vida daqueles que os tem.
Em João 17, numa das últimas orações de Jesus, ele pede ao Pai que aqueles que o seguissem buscassem ser um como ele mesmo é com o Pai, para que houvesse plena comunhão entre os crentes assim como é na Trindade e para que o mundo cresse que o Pai enviou o Filho. E por esses motivos também, precisamos conversar sobre os relacionamentos intencionais na igreja.
Relacionamentos intencionais são relacionamentos no qual ajudamos uns aos outros a seguir Jesus. Eles também são conhecidos por “discipulado” ou apenas “amizade cristã”, mas todos mantêm a mesma essência.
Sabemos que poucos são os que vivem isso na Igreja da maneira como eles devem ser segundo a vontade de Deus. Um dos principais motivos é o individualismo presente no meio eclesiátisco. Aparentemente, é mais cômodo acompanhar a vida de alguém pelas telas, à distância, não se dispor, pois um relacionamento custa muito. Porém, esse tipo de pensamento é baseado no egoísmo, algo que não deve se aplicar a vida de um seguidor de Jesus.
Isso porque Cristo não viveu para si doando-se todos os dias durante seu ministério. Em seus dias, Jesus foi capaz de falar com multidões, curar todos os tipos de enfermidades, corrigir os erros dos mestres da lei com firmeza, ensinar os discípulos e ter momentos a sós com o Pai.
Se somos seus imitadores, devemos estar tão dispostos aos relacionamentos como Jesus esteve.
Por isso, creio que relacionamento é uma ordem e não um desejo se podemos tê-lo ou não. Nascemos para nos relacionar. Nenhuma desculpa ou característica dos nossos tempos são suficientes para nos afastar do propósito de Deus para as amizades. Partindo disso, já podemos entender o porquê do uso da palavra “intencional”. Os relacionamentos intencionais só acontecerão se nós, ativamente, os criarmos e mantivermos. A minha intenção é me aproximar de alguém, criar um vínculo e mantê-lo. A passividade não é algo em questão, pois se somos passivos, isso nos levará à solidão e, no fim, ao egoísmo.
O relacionamento intencional é discipulado! O Senhor nos convida a fazer discípulos. Infelizmente, o entendimento mais comum sobre discipulado nas igrejas é limitado, de forma que ele se tornou apenas o ato de evangelizar, ganhar uma alma para Cristo e depois se ver livre daquela pessoa. Contudo, o discipulado vai além disso.
O Senhor nos chama a caminhar com os novos na fé e ensiná-los a caminhar com Jesus, assim como ele fez.
O que vemos Cristo fazendo com cada discípulo? Ele os convida a segui-lo e anda com eles, os ensina, repreende e ama. É necessário aprender esse outro lado do discipulado, pois somos responsáveis pelas almas que conduzimos a Cristo.
Esses vínculos surgirão por relacionamentos de vivência. Não podemos reduzir tudo aos encontros nos cultos, mas sim vivermos juntos uns com os outros assim como a Igreja Primitiva fazia (At 2.42-47). Experimente visitar um irmão, saia para tomar sorvete com um novo convertido da sua igreja que não tem amigos, faça um bolo e mande pra alguém que precisa de atenção e cuidado, ande com os jovens da igreja que estudam com você na mesma universidade, escreva cartas para alguém. Se importe! É isso que Deus quer de nós.
Porém, é necessário entender que
“quanto mais pecadores se aproximam, mais a sujeira de um atingirá o outro”.
Portanto, nem tudo será fácil, pois nossa natureza pecaminosa se apresentará em alguns momentos. Nesses casos, pense em Cristo. A sua sujeira o atingiu completamente na Cruz, e mesmo assim ele ainda te convida a segui-lo. Imite-o, agindo com graça, fazendo o mesmo com o seu irmão nos momentos mais difíceis da relação.
Provei a você, com a ajuda da Palavra, que precisamos nos relacionar como Corpo de Cristo. Meu desejo é que vivamos a ordem que o Senhor nos deu.
Assim como ele fez no Jardim com Adão, Deus olha para a nossa solidão e diz “Não é bom”.
Que você entenda o valor do que é dito na Palavra de Deus sobre os relacionamentos intencionais e busque, imediatamente, vivê-los para a glória de Deus.
Giselle Vital, 18 anos, faz parte da equipe de ecritoras do Agraciar e é um membro atuante em sua comunidade local.
Certa vez li que quando nossas feridas são curadas em Deus, elas tem o poder de curar outros, então, se as minhas de certa forma curar as suas, me gloriarei em cada uma delas.
Quero falar para você sobre como a graça reverbera por meio dessas feridas, ainda que eu seja incapaz de capturar todos os momentos em que ela agiu.
A graça que transforma nossas dores em força para ser suporte.
Que remenda os trapos da nossa vida, Que atua nos dias mais tenebrosos, e que junta cada caco quebrado em nós
E que nos perdoa, mesmo quando nos dilaceramos porque não conseguimos nos perdoar
Muitas vezes achamos que não vale a pena recomeçar porque temos medo de fracassar novamente, mas ainda assim, RECOMECE ! No vale da sombra da morte sempre haverá alguém lá nos esperando, ainda que nosso amor seja imperfeito e inconstante, esse alguém sabe que somos pó.
Solidão tem um gosto amargo, traição nos despedaça, ansiedade nos tira o fôlego ao ponto de sufocar,o medo nos aprisiona e culpa nos quebra em mil pedacinhos, sei bem de tudo isso, mas sei também que a poeira abaixa, que abraços chegam e nos tira do poço mais profundo das nossas almas, que o folego volta, o coração afrouxa, que o medo cessa e que até vasos quebrados podem abrigar flores.
Sorriso no rosto nem sempre é sinal de paz por dentro.
Segurança no olhar não significa ausência de medo
Passos seguros não quer dizer que nós não nos perdemos de nós mesmas
Expectativas não significa que ainda há fé e força para sonhar
Mas Jesus vai além dos nossos sorrisos forçados, Ele vê os medos trancados no nosso coração, Ele deixa as 99 para ir ao nosso encontro quando nós nos perdemos tanto que já nem sabemos mais voltar, Ele tem interesse não no aparente aos olhos, mas no que nós somos Nele e Nele até nossas raízes mais secas podem brotar novamente.
Quando os dias são maus eu grito enquanto oro, ainda que não saia um único som da minha boca, Cristo entende essa agonia porque ele mesmo sentiu isso quando pisou nesse mesmo chão.
Eu olho para o céu e choro sem encontrar uma palavra para falar, então fico quietinha e permito que O AMOR me abrace em silencio, e Ele abraça, trazendo sossego e afrouxando o peito.
E O escuto falar baixinho: Eu venci o mundo, apesar das suas tribulações, Eu estarei com vocês até o fim, não precisa se sentir sozinha, nada separará você do Meu amor, minha graça basta, ela basta.
A graça é para gente assim como nós
É um aconchego para os desesperados
É fonte de agua viva para quem está morrendo
É recomeço para os fracassados
Perdão para os culpados
Esperança para os que não se permitem mais sonhar
É mão estendida para quem caiu e sem forças, permanece no chão
A graça é assim, esmiúça cada parte nossa e tece de forma assombrosamente maravilhosa uma nova história. Então, suas feridas são curadas por meio das cicatrizes Dele, que elas também tenham o poder de sarar outras, apesar de toda e qualquer dor que elas tenham lhe feito.
Nossos passos, quais tem sido eles? Espero que não diga a si mesmo que tudo tem ido bem Se não é isto que esta alma enfadada sente. Talvez tenha tentado, com todas as forças dizer que a alegria permanece aí nas aflições Mas ainda assim, sente não ter forças para desfruta-la. Há tanto barulho aí, que é difícil ouvir consolo. Você é fraca, você sabe disso E saber disso, pode te perturbar um pouco. Você não deseja fraqueza. Quem deseja? Mas quando se sentir fraca, destrutível e maligna para si mesma, Saiba que você necessita se agarrar a algo. Na verdade, em alguém. Em sua impotência, se recorde que não é você que se sustem. Na verdade, você nunca poderia fazer isso. Há um poder. Há alguém mais forte que você. Este, ou estes alguns, não possuem fraquezas, nem limitações, E é nisto que você deve se agarrar. Para ser sincera, são Eles que te agarram E mesmo que como Pedro, sua fé vacile na tempestade, É Cristo quem te estende a mão e te sustenta Aí você pode se lembrar que nas suas multidões de fraquezas, O poder do Senhor é aperfeiçoado em você. Eu desejo que na sua fraqueza e nas suas tristezas Você possa ver a Cristo te mantendo de pé Mesmo em meio as tempestades Ele te possuí E não só te possuí, como te vê de forma amorosa Você o possuí! Se agarre na certeza de que Ele é soberano sobre todas as coisas Soberano até mesmo acima das tristezas Soberano acima das suas fraquezas Soberano sobre as suas aflições Soberano sobre as suas doenças. Cristo te sustem A esperança da Salvação é ter Cristo, Senhor, Conosco até a consumação dos séculos E que esse seja o maior consolo desse coração aflito E temeroso
Eu sei que há medo. Eu sei que as nossas experiências de outrora sempre estão ali para nos trazer tristeza. Eu sei que o fato de você não conseguir te abate, e te desânima. Eu sei que há culpa por estar em um ciclo de profunda tristeza. Eu sei que você se pergunta, por que estou assim, se eu sei que Deus está no controle de tudo?
Tais pensamentos vagueiam nossas manhãs gerando crises de choros, e questionamentos… e quando de repente caímos em si, há culpa, há confusão. E o ciclo continua…
Eu sei que talvez as verdades que você acredita estão ali, mas estranhamente você não consegue acessá-las, e seus olhos só são capazes de olhar para uma coisa: o problema.
Mas, é justamente em mais uma crise, que o Senhor em soberana graça vem e te mostrar que ele está ali para te dar os próximos passos. Não será você que controlorá o processo! O seu pai de amor está com você, e graças a Ele por isso.
A sua palavra nos lembra que quando reconhecemos tal fraqueza, a graça de Deus está ali para se aperfeiçoar em você.
Sabe, Tudo bem em você não ser forte, tudo certo você não enxergar os próximos passos.
O Senhor deseja que nesse vale nós nos relacionemos com ele. Esse momento pode ser uma experiência com ele, creia nisso.
Você não está só, há um lugar seguro que te espera: os atrios do pai. Se comunique com ele, peça! O senhor diz que nos dará descanso, isso me lembra que preciso pedir. O nosso mestre tem um convite de esperança, e de descanço!
Você não precisa levar tudo sozinho, o evangelho não é sobre o que fazemos, mas o que Rendentor fez na Cruz.
Lembre-se, Seu pai celestial te conhece e provê. Fale com ele!
Lembre-se que ele fez uma igreja, um corpo de Cristo que pode caminhar com você. Ainda que você ache melhor viver sozinho, Deus te dar os recursos da graça dEle para te amparar.
Diga essa verdade para o coração aflito: não há nada que venha a acontecer na vida dos filhos que Deus que a graça do nosso pai não esteja ali conosco
Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que a pessoa que vos escreve não está alheia ao problema que você passa, porque ela também entende o que é mergulhar numa multidão de pensamentos irreais que a fazem afundar. Ela sabe o que é passar dias a fio com um pensamento latejando em sua mente, mesmo que ele não seja real, mesmo que seja algo que nunca acontecerá. A pessoa que escreve a você sabe o que é carregar o peso por uma culpa do passado, ser atormentada pelas memórias de um erro que jamais deseja cometer novamente. Ah, ela também sabe como é esse negócio de imaginar o que as pessoas pensam sobre ela. A mente dela nunca para, está sempre pensando, pensando, pensando e chega uma hora em que ela só quer parar de pensar. Sim, esta que vos escreve sabe muito bem. Mas há esperança. Há esperança para esta moça que fala com você por meio desta carta. Há esperança para você também. Há esperança para todo abatido de espírito. Há esperança para esse povo agoniado que vive preocupado com o amanhã. Existe no céu, um Deus que acalma o coração do aflito. E na sua palavra, ele diz para não nos preocuparmos com o amanhã, porque até os pássaros do céu, que nem semeiam nem segam, são sustentados por Ele. Ele também nos dá a certeza de que pecado algum poderá nos encobrir se estivermos libertos no amor de seu Filho, ele diz “tomem sobre mim o meu jugo, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Um Deus que se compadece do abatido, que os chama e diz “eu darei descanso a vocês, sou manso e humilde de coração”. Às vezes o nosso maior problema está no fato de não colocarmos a nossa confiança neste Deus. A dor, o medo, a insegurança, as preocupações com o amanhã, revelam em nós algo que acompanha o homem desde a queda: o desejo por fazer tudo por nossas próprias mãos. Mas nos esquecemos de que viver confiando em alguém maior que nós mesmos é um caminho muito mais proveitoso. Ele prometeu cuidar de nós, e Ele cumpre suas promessas. Ele é o dono do amanhã, para você que sofre com o medo do futuro; Ele apagou os nossos pecados por meio de Cristo na cruz, para você que sofre com as culpas do passado; Ele restaura a nossa mente e coração, para você que sofre com pensamentos intrusivos; Ele te enxerga como um filho amado, para você que sente-se insegura diante da opinião das pessoas; Ele é manso e humilde de coração, e sabe de uma coisa? Ele, mais do que qualquer pessoa, entende a dor que você passa. Afinal de contas, Ele levou sobre si as nossas dores. Naquela cruz, Cristo sentiu todo peso, angústia e sofrimento da humanidade. Lá, no calvário, sua ansiedade foi depositada em Cristo. Ele se compadece, e quando sofremos, ele também sofre. Que maravilha é termos alguém assim. Por isso, confie! Confie nele mesmo que as circunstâncias digam o contrário, mesmo que seu coração enganoso esteja cheio de incertezas quanto a Ele, confie, confie e confie. Nossa maior esperança está em Cristo e na certeza de que Ele nos segura firmemente em sua mão.